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Saturday, July 15, 2006
I Know It's Over

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
And as I climb into an empty bed
Oh well, enough said..
I know it's over, still I cling
I don't know where else I can go
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
See the sea wants to take me
The knife wants to slit me
Do you think you can help me?
Sad veiled bride, please be happy
Handsome groom, give her room
Loud, loutish lover, treat her kindly
though she needs you more than she loves you
And I know it's over, still I cling
I don't know where else I can go
I know it's over
And it never really began
But in my heart it was so real
And you even spoke to me and said:
"If you're so funny
then why are you on your own tonight?
And if you're so clever
then why are you on your own tonight?
If you're so very entertaining
then why are you on your own tonight?
If you're so very good-looking
Why do you sleep alone tonight?
I know
'Cause tonight is just like any other night
That's why you're on your own tonight
With your triumphs and your charms
While they're in each other's arms.."
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes guts to be gentle and kind
Love is Natural and Real
But not for you, my love
Not tonight, my love
Love is Natural and Real
But not for such as you and I, my love

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head

By Morrissey


Posted at 06:24 pm by Eric_Draven
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Tuesday, June 06, 2006
Do outro lado

Sinto falta do telefone a tocar o teu nome. Esperar que um telefone toque é desesperante, não achas. Esperar desespera. Quanto mais esperar, desesperar, que toque o teu nome. Trago os dedos desfeitos de tanto utilizar os bolsos. As canetas. Os blocos. Quão vazios podem ser os dias, já reparaste. As tardes. As noites. As noites são ardósias onde escrever, e é essa a razão pela qual são negras, para que possamos preenchê-las de variações cromáticas. Foi há tanto tempo, meu Deus. Por que diabo invoco eu Deus se não acredito em transcendência alguma. Por que se não sobrevoam umas às outras, as noites, as ardósias, tal qual as semanas, rasando madrugadas. Sempre se tornava mais fácil escrever. Descrever. As noites foram feitas para a escrita, não é segredo. Tu foste feita para me desconjuntares em muitos. Eu fui feito para querer escrever-te, descrever-te, a ti, por modo a imaginar-te os lábios, os olhos, os braços. E levar uma reguada nas orelhas a cada letra, aplicada por uma professora que lecciona noite após noite. Ardósia sob ardósia. Este texto foi feito para ti. Nunca irás lê-lo. Sei disso. O telefone continuará sem tocar. Não o ignoro. Os telefones foram feitos para nunca tocarem. Tão-pouco para tocarem nomes. E eu continuarei à espera. A desesperar. Esperar que alguém leia um texto nosso é desesperante, não achas. Quanto mais um texto como este, ele próprio fruto do desespero. Da espera. Trago os olhos cegos de tanto te procurar do outro lado do monitor. É sempre para ti, por ti, em ti, que escrevo, que descrevo, ainda que o não faça em consciência. És sempre tu do outro lado. Do outro lado da escrita. Do outro lado da ardósia. Do outro lado da noite. O tal pelo qual se entra e onde há menos gente. És sempre tu quem me delineia as palavras, emenda as gralhas, rasura os erros. És sempre tu quem escrevo. E descrevo. Os teus lábios. Os teus olhos. Os teus braços. A escrita, para mim, foi a forma que encontrei de te abraçar à distância. Sem me aproximar. A escrita, para mim, é uma ardósia à noite, debaixo das chibatadas de uma vareta invisível. A escrita, para mim, são os teus lábios, os teus olhos, os teus braços. A escrita, para mim, és tu. Deve ser por isso que me espanta notar a tua ausência quando passo noites-ardósias inteiras a escrever. A escrever-te. A descrever-te. Sem me dar conta de que as semanas, as tardes, as ardósias e as noites se sobrevoam umas às outras, em bando, por cima de mim, rasando o sorriso que se abre mal distingo um grão de sombra saliente nos teus olhos.

Posted at 02:01 am by Eric_Draven
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Tuesday, December 27, 2005
Anjos

É uma sensação estranha e doce estar contigo. Principalmente quando às vezes era preciso estar sozinho para poder imaginar o que estaríamos a fazer ou a dizer se estivéssemos juntos, para me lembrar que estavas presente em tudo o que eu fazia, sobretudo quando estava longe de ti... Ambos estamos mudados, mais crescidos, mais maduros... Seremos mais felizes ? Espero que um anjo esteja a olhar por nós.


Posted at 05:39 am by Eric_Draven
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Thursday, December 01, 2005
These days

Os dias começam a ficar escuros e frios e pequenos. A distância e a falta de contacto começam a fazer os seus efeitos. Admiro a tua coragem, a tua maneira única de ver as coisas. As palavras completas que o teu sorriso soletrava. A riqueza dos teus silêncios. O teu conselho. Os dias começam a ficar escuros e frios e pequenos. E eu sinto a tua falta.

Queria-me alhear desta sentimentalidade excessiva, palavra que queria. Queria esquecer-te de uma vez por todas. Estava deitado ali no chão a olhar para o tecto, a ouvir música e a mastigar qualquer coisa. E veio-me a ideia à cabeça. Estar tão longe de ti fez-me mal ao longo destes anos todos. Tornei-me uma pessoa terrível. Penso em ti em demasia. E a única maneira de te esquecer de vez, de saíres para sempre da minha vida e dos meus sonhos… era ter-te comigo de novo.


Posted at 02:22 am by Eric_Draven
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Saturday, November 26, 2005
Corazón de piedra

Ella tenía un corazón de piedra y jamás se conmovió con mis palabras de orgánico amor. He intentado de todo pero sin resultado algún. Un día ella se ha marchado. Poco a poco también mi corazón (quizás buscando acercarse a ella) se ha convertido en un mineral. Ahora es algo que no puedo evitar, siempre que encuentro una piedra en mi camino me da muchas ganas de abrazar esa piedra y de la besar.

Posted at 12:50 am by Eric_Draven
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Saturday, October 29, 2005
as princesas não têm nome

as coisas com valor não se tocam, são invisiveis mas omni-presentes.
és feita de palavras , és feita de perfume, és feita de sorrisos, és feita de saudade...

as formas que conheço tão bem, que decorei enquanto não reparavas. o calor da tua mão na minha, o teu rosto que toca no meu, os meus olhos que descansam nos teus.

nao consigo deixar de dançar contigo.

quero parar para repetir tudo o que te disse, quero continuar para te dizer tudo o que nao disse. quero começar a gostar de ti todos os dias. quero fugir, quero fugir daqui e encontrar-te lá.

nao consigo deixar de dançar contigo.

quero sentar-me ao teu lado e perguntar-te se queres ficar comigo, porque nunca realmente o fiz...

e quero voltar a chamar-te com os olhos.
porque as princesas não têm nome.


Posted at 03:41 am by Eric_Draven
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Friday, October 21, 2005
Bear with me


Posted at 08:33 pm by Eric_Draven
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Wednesday, October 19, 2005
of the movable type

a memória repesca-me muitas vezes olhares e ondulares de cabelo de pessoas que me passaram ao lado. secalhar um reflexo no vidro. secalhar um apanhar do cabelo.
desce em mim aquela dor migratória de qualquer coisa com o prazo de validade ultrapassado. too late.
passam-me vidas ao lado e eu nao as vejo.
e depois ficam assim estes restos de nada, almas perdidas à procura de uma razao
plausivel para nunca terem existido.
e andam sempre comigo. fazem parte daquela elite de melancolias de bolso que tu sabes que eu tanto guardo.
aquela pequena nuvem privada que me chove encima. e estou molhado. e chove no molhado.
sao as pedras da calçada que trago nos bolsos, transportáveis, móveis. muito antes do advento dos telemóveis, já havia as pedras de bolso.
nostalgia mobile.
of the movable type.

Posted at 01:16 am by Eric_Draven
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Thursday, October 13, 2005
O regresso

Sei que é diferente desta vez, por muitas e boas razões, mas... há nuances na luz que entra por uma janela num quarto que nao conheço, nuances que nao me deixam dormir como deve ser, como preciso.
são fantasmas. sem alegorias nem adjectivos. são fantasmas despidos de assombro, que se assomam, em mim, sem precisar de mim.
arrumo a roupa quando a quero rasgar.
lavo a loiça quando a imagino partir-se nas minhas mãos.
faço a cama quando me saberia melhor se ainda lá alguem dormisse.
tranco a porta, quando a desejo escancarada para mais alguém entrar.

moram coisas em espaços vazios. tenho a certeza. tenho a certeza que existem historias contadas que não me contaram a mim em espaços sem sons, sem cores. sinto-me tentado a sentar-me e tentar aperceber-me dessas historias.
que afinal sao as minhas.
que não moram em mais lado nenhum senão em mim.


Posted at 12:50 am by Eric_Draven
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Friday, July 22, 2005
Origami

desaparece daqui para bem longe, vai morar para longe. morre longe.
o mundo nao serve para mim, porque secalhar nunca serviu e esta religião de fé de consciência é frágil demais. ultimamente tem-se partido em mil pedaços e parece que estou fora de mim, a pairar feito fantasma, a ver-me apanhá-los do chão e voltar a colá-los com cuspo.
origami de sentidos.
o cansaço é uma palavra escrita em braille no meu corpo. estou cansado e isso sou eu. não sou muito mais nestes dias.


Posted at 01:02 am by Eric_Draven
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